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"Animais Fantásticos e os Segredos de Dumbledore" é nostálgico e aborda importantes questões sociais

  • Júlia Machado
  • 25 de abr. de 2022
  • 3 min de leitura

O spin off se passa bem antes das aventuras de Harry Potter, Hermione e Rony no castelo mágico de Hogwarts, mas nem por isso deixa de recorrer à nostalgia dos cenários já conhecidos e da trilha sonora marcante da série.



Na cena, Dumbledore (Jude Law) se reúne com os outros bruxos no Salão Principal do castelo de Hogwarts - Foto: Reprodução


O universo mágico de Harry Potter voltou às telas do cinema com o terceiro filme da franquia Animais Fantásticos. "Os Segredos de Dumbledore" estreou na última quinta (14/04) com um novo Grindelwald, representação brasileira e abordagens sociais importantes. Além disso, o filme costurou arcos abertos no filme anterior, "Os Crimes de Grindelwald".


O spin off se passa bem antes das aventuras de Harry Potter, Hermione e Rony no castelo mágico de Hogwarts, mas nem por isso deixa de recorrer à nostalgia dos cenários já conhecidos e da trilha sonora marcante da série. Os Segredos de Dumbledore conseguiu trazer um frescor para as histórias do mundo bruxo, mesmo usando personagens já conhecidos pelo público.



- Foto: Reprodução Warner Bros.


No lugar do sábio diretor da escola de Harry, Alvo Dumbledore aparece como uma figura jovem e solitária, esmagado pelo peso da culpa que carrega pela morte de Ariana, sua irmã caçula. O bruxo surge dividido por precisar lutar contra o seu amor de adolescência, Grindelwald. O filme marca o amadurecimento da personagem e seu crescimento enquanto bruxo, e, pela primeira vez em todo o universo Harry Potter, conversa abertamente sobre a sexualidade de Alvo, informação crucial para o desenvolvimento da história.


- Foto: Reprodução Warner Bros.



Personagens novos e outros já conhecidos se unem à missão de deter a ascensão de Grindelwald e sua influência no mundo bruxo. A escalação de Mads Mikkelsen (Hannibal) para viver o vilão no lugar de Johnny Depp (Piratas do Caribe) foi uma das maiores apostas. Com uma caracterização muito mais natural, porém mantendo os traços físicos marcantes de Grindelwald (cabelo descolorido e heterocromia), Mikkelsen também traz uma atuação mais sutil, e incorpora o carisma e a frieza de um líder fascista.


Falando em fascismo, é quase impossível assistir ao filme sem fazer ao menos uma conexão com o período da Segunda Guerra (1939-1945), época em que se passa o filme, ou ainda com o momento atual de polarização política acompanhada de manipulações de notícias e aceitação de discursos opressores em nome da "liberdade de expressão". Fica bem claro, durante a trama, a existência de um paralelo do enredo com o "Paradoxo da Tolerância", criado pelo filósofo Karl Popper.


O paradoxo discute o limite da própria tolerância, ou seja, a tolerância ilimitada levará ao desaparecimento dela mesma. E segundo Popper, "devemos reservar o direito, em nome da tolerância, de não tolerar os intolerantes". O resultado disso é mostrado bem rapidamente no filme. Um líder que defende a extinção de toda a população não bruxa sendo carregado por uma multidão de defensores. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.



- Foto: Reprodução Warner Bros.


No quesito seres mágicos, continuamos a acompanhar as trajetórias de Pickett (tronquilho morador de árvores do tamanho da mão)e Pelúcio (criatura com um longo focinho e um casaco de pele negra e fofa) junto ao bruxo Newt Scamander (Eddie Redmayne), seu tutor. Mas um novo animal surge e rouba a cena no terceiro filme da franquia. O Tilim, uma rara espécie, tem a capacidade de enxergar a bondade no coração dos indivíduos e, a partir disso, escolher aquele que possui melhor vocação para ser um líder. É ele quem auxilia os bruxos na eleição para o cargo de Chefe Supremoda Confederação Internacional dos Bruxos.




- Foto: Reprodução Warner Bros.



Algo que comoveu os fãs brasileiros foi a presença da atriz e modelo brasileira Maria Fernanda Cândido (A força do Querer) como Vicência Santos, uma bruxa brasileira candidata ao posto de Chefe Suprema da Confederação Internacional dos Bruxos. Apesar das poucas falas da personagem, a atriz brilha com sua atuação gesticulada e sensível. É notável o peso e a importância da personagem para a história. No fim, os fãs encontram ainda outra surpresa em referência ao Brasil.


Após a sucessão de erros que marcou os últimos filmes, desde a criação de um roteiro superficial e melodramático a declarações transfóbicas da criadora da série, roteirista e produtora J.K. Rolling, além da escalação do ator Johnny Depp (que enfrenta um longo caso na justiça de acusação de violência doméstica), a saga esteve por um triz, mas é possível que o terceiro filme ajude a recuperar parte do entusiasmo dos fãs.

* Texto produzido em parceria com o jornalista Juan Lessa para o portal É Sobre Isso. Confira a publicação clicando aqui.

 
 
 

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